A aquaponia, que combina a criação de peixes e o cultivo de plantas, desperta cada vez mais interesse. Se deseja lançar-se nesta aventura, a escolha das espécies será uma etapa crucial do seu projeto.
Que peixes escolher em aquaponia ?
22 May 2025
A aquaponia, que combina a criação de peixes e o cultivo de plantas, desperta cada vez mais interesse. Se deseja lançar-se nesta aventura, a escolha das espécies será uma etapa crucial do seu projeto.
A escolha dos peixes é um elemento determinante no sucesso de um sistema aquapónico. Quer opte por espécies ornamentais, quer a sua instalação vise uma produção alimentar, os peixes selecionados terão um impacto direto na qualidade da água, no crescimento das plantas e no equilíbrio global do ecossistema.
Neste artigo, ajudamo-lo a identificar as espécies mais adequadas ao seu projeto, em função dos seus objetivos, das suas preferências e das especificidades técnicas do seu sistema aquapónico.
O peixe-vermelho é sem dúvida a espécie mais utilizada em aquaponia. Pode viver num pequeno tanque e suportar variações de temperatura importantes. Rústicos e muito tolerantes, adaptam-se bem a águas temperadas ou frias.
As carpas koi, maiores, são ideais num lago exterior e acrescentam um toque estético com as suas cores vivas. Estes peixes não se destinam ao consumo, mas contribuem eficazmente para o ciclo do azoto ao produzirem dejetos nutritivos para as plantas. Tenha apenas o cuidado de não sobrepovoar o lago para manter uma água limpa (o uso de uma boa filtração e de mudanças de água regulares ajuda a manter o equilíbrio).
Para os sistemas muito pequenos ou aquários dedicados à aquaponia, pode optar-se por pequenos peixes tropicais. Os guppies, por exemplo, são peixes vivíparos muito resistentes e fáceis de criar. Reproduzem-se rapidamente, o que pode ser interessante de observar. Estas espécies vivíparas podem adaptar-se a águas mais frescas e podem geralmente permanecer no exterior de abril a outubro. Será necessária, no entanto, uma solução de recurso para o inverno.
Embora o seu impacto nutritivo seja menor face às plantas, constituem uma escolha lúdica e educativa para começar. Outros peixes de aquário como os bettas, os gouramis, os ancistros e alguns ciclídeos podem também convir neste contexto.
A truta-arco-íris é apreciada pela sua carne fina e pelo seu crescimento rápido. Necessita de uma água fresca (10 a 18 °C) bem oxigenada, o que a torna ideal para as instalações que dominam finamente a temperatura e o arejamento, mas complexa de manter no verão.
O luciopércio, peixe nobre também apreciado na gastronomia, suporta temperaturas mais variáveis e mantém-se relativamente tolerante. Menos frequente em aquaponia, representa uma bela oportunidade.
Por fim, a carpa comum, como a carpa koi, distingue-se pela sua robustez. Onívora, adapta-se facilmente aos sistemas aquapónicos. É perfeita para os sistemas simples, nomeadamente no exterior ou numa lógica de autonomia alimentar.
A escolha certa dependerá do seu clima local, dos seus objetivos e dos constrangimentos técnicos do seu sistema aquapónico.
A tílapia é a espécie emblemática da aquaponia tropical. Fácil de criar, pouco exigente em oxigénio e muito resistente às variações de qualidade da água, prospera entre 22 e 30 °C. O seu crescimento rápido e a sua reprodução fácil fazem dela uma escolha estratégica para a produção em grande quantidade.
O peixe-gato africano, por seu lado, tolera condições extremas, incluindo águas pobres em oxigénio. É carnívoro e cresce rapidamente, o que faz dele uma espécie rentável para os sistemas bem equilibrados.
A perca-do-Nilo, mais massiva, está adaptada aos grandes lagos. Oferece uma carne muito apreciada, mas exige uma boa gestão da água e uma alimentação específica.
Nem todas as espécies coabitam bem entre si: algumas são agressivas, outras demasiado sensíveis ou stressadas na presença de espécies diferentes. Além disso, as suas necessidades de temperatura, oxigénio ou comida podem ser incompatíveis. Por exemplo, é arriscado criar peixes-vermelhos com tílapias, ou trutas com peixes exóticos.
Se desejar introduzir várias espécies, escolha peixes de tamanho semelhante, com comportamentos pacíficos e condições de vida próximas (exemplo: carpas koi e peixes-vermelhos).
É muitas vezes mais simples manter-se numa única espécie por sistema para garantir a estabilidade e a facilidade de manutenção.
Escolha uma comida para peixes de qualidade, adaptada à espécie que cria. Por exemplo, grânulos ricos em proteínas para os carnívoros como a truta ou o peixe-gato, e grânulos vegetais para os onívoros como a tílapia ou a carpa.
Em geral, recomenda-se distribuir pequenas quantidades de comida uma a duas vezes por dia, que os peixes possam consumir em poucos minutos. Retire os eventuais restos com um camaroeiro para não poluir a água.
Um bom equilíbrio alimentar favorece o crescimento dos peixes e limita a produção de dejetos, o que alivia o sistema de filtração e mantém a água mais limpa.
A densidade de peixes é um parâmetro fundamental em aquaponia. Demasiados peixes = sobrecarga de dejetos, poluição da água, stress e doenças. Poucos demais = falta de nutrientes para as plantas.
Em aquaponia doméstica, o equilíbrio situa-se muitas vezes em torno dos 15-20 kg de peixes por metro cúbico de água, mas isso depende do tipo de peixes, da filtração e da quantidade de plantas cultivadas.
Comece sempre com uma densidade moderada. Observe como evoluem os níveis de nitratos e o estado dos peixes. Se as plantas carecem de nutrientes, pode aumentar progressivamente a população. Em caso de dúvida, mais vale menos peixes saudáveis do que demasiados animais a sofrer.
A escolha dos peixes em aquaponia não é anódina: deve ser coerente com o seu clima, as especificidades da sua instalação e os seus objetivos de produção. As espécies tropicais como a tílapia ou o peixe-gato africano destacam-se em ambiente quente ou aquecido, enquanto peixes locais como a truta, o luciopércio ou a carpa comum estão antes adaptados aos sistemas temperados.
Para além da escolha das espécies, o sucesso do seu sistema assenta num equilíbrio global: qualidade da água, gestão dos dejetos, densidade de população e manutenção rigorosa. Um equipamento adequado e um acompanhamento regular dos parâmetros são indispensáveis para manter um ecossistema estável e produtivo.
Por outras palavras, cada peixe escolhido é um pilar do seu ecossistema aquapónico. Reserve tempo para fazer uma escolha esclarecida, pois influenciará não só a saúde das suas plantas, mas também a durabilidade e a produtividade de toda a sua instalação.
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